III Trilhos de Casainhos
III Trilhos de Casainhos
Presenças Run 4 Fun
- Gerardo Atienza
- Hilário Torres
- César Moreira
- Ruben Silva
- Teodoro Trindade
- Jorge Esteves
- Joao Ralha
- Alfredo Falcão
Hoje houve festa em Casaínhos e 8 de nós estiveram lá. A prova chama-se Trilhos de Casaínhos e vai na sua terceira edição. É uma prova de montanha, vertente da corrida que tenho experimentado sempre que surgem oportunidades e quando considero as distancias ao meu alcance. Já há um grupinho dos Run 4 Fun que frequenta estas provas, e eu que antes das corridas praticava BTT, fiquei sempre com o gosto de andar pelos trilhos.
Quando cheguei a Casaínhos parecia que estava no campo, mas na verdade andei calmamente cerca de meia hora de carro (25km). É por isso o campo mesmo às portas de Lisboa.
O dia estava sombrio ameaçando chover, mas a temperatura estava agradável.
A partida era no campo de futebol do Sporting Clube de Casainhos (gostei deste toque verde da prova!). Os carros arrumavam-se facilmente dentro do recinto. Ao meu lado arrumou o Jorge Esteves que trazia o carro cheio. Quando saímos dos carros e nos preparávamos o João Ralha, que vinha com o Teodoro,cumprimentou a Célia Azenha, que nos contou um bocadinho das suas aventuras de 333 quilómetros em 147 horas a mais de 2500 metros de altitude (espero não estar a cometer nenhuma incorrecção nos detalhes, mas estou a dizer de memória). Claro que tirámos umas fotografias com tão extraordinária atleta.
Enquanto esperávamos pela partida, que foi pontual, começou a chover, mas não foi mais do que umas gotas grossas que pararam em poucos minutos. Dada a partida, o grupo de 120 corredores saiu ordeiramente do campo e num instante entrámos nos trilhos. Sendo uma prova de montanha, começámos logo a subir. Ainda íamos todos juntos mas a subida encarregou-se de ir dilatando a dimensão do pelotão. Desta parte lembro-me que os 3 primeiros quilómetros demoraram muito a passar, talvez por serem sempre a subir. Quando entro nestas subidas esforço-me por não olhar para a sua dimensão, para não ter nenhum momento de fraqueza e começar a andar, até porque quanto mais andar mais tempo demoro a chegar ao fim e eu quero é chegar ao fim. Mas nestas provas há subidas com grande declive e essas são obrigatoriamente feitas a andar, mas não é por isso que a prova fica mais fácil, até fica mais difícil, é melhor correr a direito do que andar a subir.
Fiz a corrida sempre com pessoas atrás ou à frente. Tive as minhas disputas, a primeira adversária que identifiquei no meu andamento não consegui acompanhar, passei uma vez e depois fui passado, durante muito tempo não vi esta senhora de cabelo curto grisalho, mais ou menos da minha idade.Passados uns quilómetros (não sei quantos foram) voltei a avistá-la. Íamos a descer e eu estava com alguma velocidade e fui-me aproximando. Enquanto isto acontecia passou-me pela cabeça que na corrida as ultrapassagens nunca surpreendem, são sempre momentos lentos e consentidos ou conquistados, dá sempre tempo para reagir, haja pernas! E assim foi, lentamente aproximei-me e ultrapassei. Entretanto tinha sentido nas costas uma outra atleta, que se aproximou. Tive tempo para reagir, apanhei uma descida e acelerei, devíamos estar no quilómetro 10. Assim fui até que, no quilometro 12, nos aproximamos de uma parede com 150 metros de altura. O piso estava empapado e escorregadio. Nem queria acreditar, os atletas que conseguia avistar perto do topo pareciam uns bonecos, de tão pequenos que a distancia os fazia. Procurei afastar a realidade dos meus pensamentos e atirei-me à subida, naturalmente foi toda feita a andar,à velocidade que se conseguia, mas fui-me aproximando do grupo de meia dúzia de atletas que seguiam à minha frente. Mesmo atrás vinha a senhora que haveria de me passar a meio da subida. Mas quando chegámos ao topo, bebi dois golos de água e puxei pelas pernas, voltei a ultrapassar a senhora mas passados poucos metros ela retomou a sua passada, mais certa e mais rápida que a minha e deixei de a conseguir acompanhar, fui vendo à distancia a atleta a aproximar-se de outros e a ultrapassar, que ritmo! A minha primeira rival vinha mesmo atrás de mim. Ainda me apanhou e ameaçou deixar-me para trás. Quando tentei reagir senti uma caimbra e dei um grito. Consegui controlar e mantive o andamento, tentando mentalmente descontrair o gémeo direito, enquanto alongava o passo reforçar o efeito. Funcionou, lentamente o músculo foi deixando de ameaçar contracções involuntárias e eu consegui manter a minha posição, não fui ultrapassado. Não é que os lugares sejam muito importantes, mas para mim estas pequenas disputas são uma forma de motivação. Perco umas e ganho outras, mas acabo sempre acorrer melhor.
Depois fui ver chegar os outros corredores e tirar a fotografia da praxe, antes de ir para o banho. Como não preparei convenientemente as coisas nem gel trouxe, que alguém me emprestou a custo, porque estava a acabar (hehehe). Seguiu-se o almoço, bem servido e saboroso e a entrega dos prémios.
Sem dúvida que foi uma das manhãs mais bem passadas a correr dos últimos tempos.

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